#SomosTodoOuvidos

Na última semana, conheci um novo amor. Cinco, na verdade. Eles se chamam Antoni, Karamo, Tan, Jonathan e Bobby, ou The Fab 5, astros da maravilhosa série Queer Eye, da Netflix. Para quem não conhece: inspirada na série Queer Eye For a Straight Guy (2003-2007), cinco gays ajudam um homem hétero a dar uma virada na vida. Alguns de vocês dirão que é fútil, mas confiem em mim e sigam em frente.

Uma parte da mudança corresponde a decoração, roupas e cabelos novos. Nenhuma novidade em programas de transformações. Mas o foco deste vai além, e foi aí que me conquistaram. Ao longo de uma semana, paralelamente aos ajustes externos, há muita conversa entre The Fab 5 e seus “convidados”. E o que vi foi uma aula de como apresentar seu ponto de vista com civilidade, aceitar a posição do outro com respeito e chegar a um denominador comum onde todos convivem e se admiram por suas individualidades. Infelizmente, a primeira temporada tem apenas oito episódios e logo cheguei ao fim.

Coincidência ou não, no dia seguinte, apareceu em minha timeline do facebook o artigo Por um ativismo do desacerto, escrito por Sofia Favero, psicóloga, ativista trans e vice-presidente da Organização e Movimento Sergipano de Transexuais e Travestis. Basicamente, o texto aborda o despreparo das pessoas com o vocabulário LGBT, tendo como mote o infeliz comentário de Rubens Ewald Filho, na transmissão do Oscar – quando a atriz transexual Daniela Vega subiu ao palco e ele a chamou de “rapaz”.

O que Sofia defende é que existem os preconceituosos, mas também, aqueles que são apenas desinformados, e ambos não podem ser equiparados. Existe a intenção no primeiro, mas não no segundo. Então, ao invés de se colocar contra esses, a saída seria uma “conversa desarmada”, onde todos teriam muito a aprender. Simples e genial, como Queer Eye mostrou.

E por que não dá certo? Porque muitas pessoas não querem o meio termo, querem apenas ter razão – independentemente de estarem com a razão ou não! Deve ter a ver com poder, necessidade de autoafirmação, insegurança (psicólogos, me ajudem!). Assim, publicam discursos arrogantes, condenando qualquer um que faça algo diferente do que acreditam estar certo. Solidarizam-se, desde que o necessitado esteja dentro dos seus padrões. Não ouvem o outro lado, não têm interesse em entender os porquês. Logo, dificilmente conseguirão fazer algo útil para ajudar a melhorar o todo.

Em uma época onde hashtags de solidariedade surgem a todo momento, acredito que estejamos esquecendo da que mais fará a diferença. #SomosTodoOuvidos

 

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