Falsas verdades

Minha luta contra a balança começou lá pelos meus onze anos (e segue firme até hoje). Nunca fui obesa, mas sempre tive de dois a quatro quilos a mais do que gostaria. Hoje, vejo que a tarefa era facílima, mas raramente conseguia chegar no peso que considerava ideal. E isso tinha uma explicação muito clara: desde lá, tenho PA-VOR a exercícios físicos. “Ah, mas deixa a gente mais feliz”, ouvia. Eu só ficava feliz pois sabia que no dia seguinte não precisaria fazer.

Justamente por isso, não era assídua em academias e afins. Logo, não emagrecia. Mas eu queria emagrecer!! Então acreditava em qualquer coisa sem embasamento científico desde que prometesse ajudar na perda de peso. E uma delas era que o problema do refrigerante era o gás. Era o gás que acarretava celulite. Só ele. Então a grande sacada era tirar o gás do refrigerante. E como se fazia isso? Adicionando uma colher de açúcar no copo (?!?). Assim o fiz por algum tempo, mesmo com minha mãe dizendo que não existia lógica nenhuma naquela teoria. Se tivesse juntado lé com cré, eu mesma teria chegado à essa conclusão. Mas me livrar das celulites sem fazer atividade física era muito conveniente. Não durou porque, além de não emagrecer, o gosto era péssimo.

Anos mais tarde meus pais compraram uma esteira. Estava no quarto ao lado, mas minha frequência era a mesma da academia. Logo, precisava potencializar o pouco tempo que dedicava a ela. “Se enrolar sacos de lixo no corpo, sua mais e emagrece mais rápido”, alguém me disse. Vocês já correram com sacos de lixo no corpo? Primeiro que não dá para prender direito, então, vai caindo ao longo da corrida. Segundo, mesmo preso, é muito desconfortável. E terceiro, o cheiro de saco de lixo é horrível. Mas se isso significava reduzir pela metade meu esforço físico, valia a pena. Não durou também.

Tive diversas experiências com dietas e medicamentos. Nenhuma cumpriu a promessa de me deixar magra e longe dos halteres e colchonetes. Não existe modo fácil de emagrecer, ainda assim, eu seguia acreditando em tudo o que me falavam que tinha feito a fulana perder 10 quilos em um mês. Confesso, até hoje me informo sobre esse tipo de produto. Eu sei que não é verdade. Mas me convém.

E temos essa tendência de crer em qualquer coisa, desde que nos seja conveniente. Falsas verdades nos dão o argumento que falta para defendermos uma ideia sem embasamento algum. Se é uma colher de açúcar que só faz mal a quem toma, vá lá. O problema é quando querem empurrar refrigerante sem gás goela abaixo de todo mundo. Pessoas que jogam uma informação ao vento, não importando a origem muito menos a veracidade, querem apenas ter razão. E ponto.

Não, este não é mais um post sobre Marielle Franco. Jamais a colocaria entre meus choramingos estéticos. Existem textos maravilhosos à altura de Marielle. Nunca me atreveria. Mas foi a brutal execução dela que fez minha repulsa a fake news chegar a números estratosféricos. Eu realmente acreditava que tudo tinha limite.

É ano de eleição e a política vem sendo a principal fonte de graves desafetos. Um vale-tudo de dar inveja às madrugadas do SporTV nos anos 2000. Preparemo-nos, pois as manadas extremistas de esquerda e direita já se enrolaram nos sacos de lixo e começaram a correr. Imaginem quando chegar a hora de colocarem açúcar no refrigerante. De doce não vai ter nada!

 

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