A teoria da batida de banana

Já fui uma pessoa pior. Pior do que sou hoje, não pior no sentido de ex-serial killer. Minha mãe (MINHA MÃE!!) me chamava de Rainha do Ranço e Princesa do Bochincho. Eu brigava muito, era sempre do contra – inclusive, só entendi muito tempo depois porque a mesma mãe ali de cima me chamava de PT.

Eu era aquele meme “Sou chata, mas pensa num coração bom”. Porque eu era legal, mas tinha uma dificuldade imensa de deixar pra lá o que me incomodava, independentemente de ser algo relevante ou não. A maior prova de que eu era legal é que tenho amizades de mais de 30 anos. Ou seja, valia a pena me aguentar.

O tempo mostrou que, às vezes, brigar é mais indigesto do que engolir sapo. Mas o que me ensinou mesmo a ser uma pessoa melhor foi estudar o espiritismo. Peraí! Esse texto não tem nada a ver com religião. Tem a ver com amor. E amor é laico.

As pessoas interpretam mal a palavra amor. “Amai-vos uns aos outros”, “amai os vossos inimigos”, “ame aos outros como a ti mesmo”. Nunca foi sobre amor paterno, materno, fraterno, físico. Foi sobre respeito. Sobre não fazer aos outros o que não gostaria que fizessem a ti. Porque a vida me ensinou que sempre precisaremos reparar nossos erros, sejam eles muitos ou poucos. E o fato de alguém ter errado conosco, não nos dá o direito de revidar, ou teremos de reparar isso também.

Percebi, então, que não é lá muito inteligente reclamar, apontar ou julgar, pois uma hora a conta vem. O melhor é perceber, entender e, se for o caso, ajudar da forma que for possível. É saber que perdoar não é esquecer o mal que alguém me fez, mas impedir que as limitações daquela pessoa interfiram na minha vida e ter a certeza de que ela vai precisar superar isso em algum momento, ainda que seja através da dor.

É fácil? Não. Mas aí entra a teoria da batida de banana. Por orientação da nutricionista, meu café da manhã é uma batida de banana com aveia e cacau. Forcei-me a tomar todos os dias. Hoje, dois anos depois de começar, sinto falta quando não dá tempo de fazer. Foi a única coisa da dieta que consegui tornar um hábito. E isso serve para qualquer coisa. Inclusive para perdoar ou deixar os ranços de lado. No início é difícil, mas a gente vai percebendo que faz bem e, quando vê, já é algo indispensável em nossa vida.

Comecei a escrever esse texto no dia em que conheci a Mansão do Caminho, obra idealizada e construída por Divaldo Franco, com o apoio incondicional do amigo Nilson de Souza Pereira, em Salvador-BA. É um lugar incrível que, com maternidade e escolas, proporciona uma vida acolhedora a famílias de baixa renda. O que vi deixa muitas instituições particulares comendo poeira. Tudo porque duas pessoas entenderam desde sempre que nunca foi sobre amor físico, foi sobre respeito.

Estou anos-luz atrás de Divaldo. Mas anos-luz à frente da Rainha do Ranço ou da Princesa do Bochincho. Podem perguntar a minha mãe.

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Um comentário

  1. Há controvérsias sobre teus títulos: ranço e bochincho podem ser vistos como opinião, direito, respeito. Independente disto, a verdade é que tu eras/é irresistível!!! Te amo, guriazinha!!! ❤❤❤💋💋💋

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