Intervenção educacional

Meu olhos sangraram ao ler uma notícia sobre como Câmara e Senado estão tentando combater as fake news no Brasil. Os textos mostram despreparo e desconhecimento ou afrontam a inteligência humana. Ou tudo isso junto. Pegue um lencinho, clique aqui e veja com seus próprios olhos.

Parece eu. Quem me conhece sabe que tenho dores de cabeça com muita frequência. Fiz exames, consultei profissionais de diversas áreas, nada foi encontrado. Também não tive paciência de insistir na busca e, hoje, apenas admito que não posso ir a lugar algum sem uma cartelinha de Dorflex. Não existe esperteza nisso. A longo prazo, o medicamento pode afetar minha saúde. Mas é mais fácil tomar um comprimido do que ficar peregrinando em busca da causa.

Tá, e daí? Daí que não faz nenhum sentido criar leis que responsabilizem pessoas e, pasmem, provedores de internet pela distribuição de notícias falsas enquanto a causa dessa desinformação ou mau caratismo não for tratada. Aliás, é uma tendência que temos: punir a consequência e varrer o por quê para baixo do tapete.

E esse por quê é tão óbvio que tenho até vergonha de falar: educação. Qualquer pessoa sensata e sem paciência pararia de ler o texto aqui. Estou chovendo no molhado e jogando na internet mais um clichê, me perdoem. Mas acredito no poder das palavras e, quem sabe, repetindo mil vezes a mesma coisa, algo aconteça.

Nos falta educação. Digo mais, nos falta a cultura da educação. Ser educado dá trabalho. Tem que ler, analisar, debater, aceitar outras verdades que não sejam as nossas. Quando ignoramos algo, não podemos ser responsabilizados por nossas falhas. No entanto, a partir do momento que temos o conhecimento, não há mais desculpas para errar. Para muitos, a ignorância é mais confortável.

Do outro lado, há os que têm o entendimento, mas não têm caráter. Esses conhecem o poder da educação. Por isso mesmo, preferem negligenciá-la, afinal, quanto mais as pessoas souberem, maiores serão as chances de serem desmascarados. De novo estou chovendo no molhado.

No meio dessa muvuca, sobram aqueles que acreditam na falta de educação como a única causa dos absurdos que somos obrigados a ver. Enquanto não houver ensino de qualidade e disposição para aprender, seguiremos lendo coisas como “Só falta as forças armadas irem contra a manifestação do povo. Está na hora do exército agir. Intervenção militar já”. Isso foi postado. Juro. Eu vi.

Querer que alguém cumpra de um a quatro anos de prisão por distribuir fake news é uma ideia natimorta. A justiça brasileira é lenta, ficaria ainda mais. Condenados por crimes graves estão vivendo livremente, já que não há lugar para todos nas cadeias e albergues do país. Será mesmo que quem propõe uma bobagem dessa tem a intenção de melhorar alguma coisa? Ou faz de conta que está preocupado, mas no fundo quer mais é que tudo fique como está? Mais uma vez, o molhado.

Se eu tivesse que fazer um último pedido na vida, seria para que as pessoas boas (não confundam com “cidadão de bem”, são coisas absurdamente diferentes) focassem seus esforços na disseminação da educação, seja ela de informar ou de respeitar o outro. Não existe outra forma de ter um mundo melhor. Estaremos sempre sofrendo as consequências enquanto não extinguirmos a causa. E esse mal, sinto muito, nem Dorflex resolve.

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2 comentários

  1. Concordo mil vezes!!! Cada texto melhor que o anterior!!! ❤️❤️❤️💋💋💋🌺💐🌻

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